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01/08/2017 - 10:15

Eles são responsáveis pela maioria dos alimentos que chegam à mesa dos brasileiros. Labutam diariamente, muitas vezes enfrentando intempéries, para garantir que não faltem o arroz e feijão de cada dia. Na crise, eles seguram a economia. Hoje, os agricultores, cujo dia é comemorado nesta sexta-feira, 28, fazem parte de uma cadeia produtiva que já responde por cerca de 40% da economia do Pará. Das pequenas às grandes lavouras sai a produção paraense, que abastece os mercados internos e até o internacional.

A importância da agricultura é tamanha que, das 12 cadeias produtivas inseridas no Programa Pará 2030, oito são do agronegócio, com destaque para a agricultura familiar. Entre essas culturas estão mandioca, açaí, cacau, cítricos e dendê, nas quais o Estado é líder ou ocupa posição de destaque.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o valor da produção agrícola municipal paraense cresceu cerca de 170% entre os anos de 2006 e 2013. O levantamento registrou que o produto final das plantações no Estado alcançou R$ 5,4 bilhões em 2013, soma quase R$ 3,4 bilhões superior à observada em 2006 (R$ 2 bilhões).

Crescimento

A pujança do campo é reconhecida pelo volume de produção e área plantada. O Boletim Agropecuário do Pará 2015, elaborado pela Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa), aponta que a área cultivada no Estado, em 2013, alcançou 1.149.309 hectares, gerando com a produção de diversas culturas o valor estimado de R$ 5,4 bilhões, o que representa quase 27% do Produto Interno Bruto (PIB) agropecuário.

Em relação a 2012, segundo análise da Fapespa, esses números configuram um desempenho bastante positivo, uma vez que a área cultivada teve incremento de 6,3% (68 mil hectares); a quantidade produzida, de 4,4%, e o valor da produção, de 39,6%. Nesse cenário, segundo dados da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia (Sedeme), o Pará desponta como maior produtor nacional de mandioca – com 4,7 milhões de toneladas ao ano – e de dendê (com produção de 1,4 milhão de tonelada).

O Censo Agropecuário de 2006, o último lançado pelo IBGE, revela que a agricultura familiar é responsável, no Pará, por 84% da produção de arroz e 69% de milho. Além disso, 82% do café arábica e 83% do feijão também resultam das propriedades familiares.

A produção de leite é outro destaque, pois 68% do produto vêm de pequenos produtores. Na criação de animais, 79% dos porcos e 31% das aves (galinhas e frangos) saem de propriedades de agricultores familiares.

Merenda Escolar

No Pará, esse setor da economia tem grande participação na complementação dos alimentos básicos da merenda escolar. Desde 2002 é prioridade para a Secretaria de Estado de Educação (Seduc) a participação de produtores da agricultura familiar no fornecimento de alimentos saudáveis para as mais de 300 escolas da rede pública estadual de ensino, na Região Metropolitana de Belém.

Os alimentos são comprados por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) e Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). São mais de 50 famílias de agricultores familiares que fornecem feijão caupi, abóbora, feijão verde, couve, cheiro-verde, laranja, banana, melancia, abacaxi, mamão, tangerina e temperos. Esses produtos constituem 50% do cardápio dos estudantes.

Pequeno produtor desponta no cultivo de cacau, dendê e arroz, entre outras

O Programa Pará 2030, lançado pelo governo estadual com o objetivo de elevar, de forma sustentável, os níveis de produção e industrialização, aponta cerca de 140 mil unidades produtoras pertencentes à agricultura familiar no Estado.

O pequeno produtor responde atualmente pela maioria da produção de culturas como cacau (a segunda maior do país, com 79 mil toneladas), dendê e arroz de sequeiro. Mais de 90% da mandioca produzida em solo paraense vêm da agricultura familiar. A atividade ajuda a dinamizar a economia, devido à comercialização para o mercado nacional e estrangeiro.

Segundo o Núcleo de Estudos e Avaliações da Coordenadoria de Planejamento da Emater (Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural), os agricultores familiares assistidos pela empresa produziram, em 2016, mais de 20 mil frutos de abacaxi, 99 toneladas de açaí, 3.754 toneladas de arroz, 8.995 toneladas de banana, 6.229 toneladas de cacau, 434 toneladas de dendê e 490 toneladas de feijão caupi.

Diversificação

Um desses pequenos produtores é o agricultor Alonso Silva, 72 anos. No Sítio Bom Jesus, no município de Ananindeua (Região Metropolitana de Belém), ele cultiva frutas. Em sete hectares, Alonso planta acerola, cupuaçu, laranja, açaí, coco, abacaxi, tangerina, limão, uxi e pupunha.

No sítio, cuja área total é 25 hectares, ele também cria pato e galinha caipira, e mantém uma mini-indústria de polpa de frutas. A produção é comercializada todo sábado, na Feira do Produtor Rural da cidade. O restante é vendido para outros centros consumidores.

Alonso e a esposa, Isadora Silva, 63 anos, são aposentados do Sindicato dos Produtores Rurais, e hoje vivem exclusivamente do plantio, que lhes permite uma renda média mensal de R$ 1,9 mil. Os resultados alcançados – que incluem a produção de 3 toneladas de polpa de acerola por ano, cerca de 700 quilos de pupunha e 12 milheiros de laranja – são possíveis graças ao apoio recebido de instituições como a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e a Emater.

“A Emater foi fundamental para que eu pudesse alcançar melhores resultados. Adquiri muitas técnicas de plantio que uso até hoje, e depois aperfeiçoei com cursos na Embrapa”, diz Alonso, enquanto caminha pelo Sítio Bom Jesus e mostra, com orgulho, os pés de acerola. Sem sistema de irrigação e com apenas um ajudante para fazer a limpeza da área, ele cuida praticamente sozinho da propriedade.

A dedicação lhe rendeu, em 2012, o título de Agricultor Familiar Destaque, concedido pela Federação da Agricultura e Pecuária do Pará (Faepa). “Todos os meus produtos são 100% orgânicos, pois não faço uso de produtos químicos e agrotóxicos”, afirma.

Alonso Silva é um exemplo de produtor atendido pelos programas de fomento à agricultura, oferecidos pelo Estado. Um deles é o Pará Produtivo, que será executado em conjunto pela Emater e Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap), com o objetivo de instalar polos de produção em 11 municípios das regiões metropolitana e nordeste, para abastecer o mercado consumidor de Belém, o maior do Estado. Inicialmente, serão atendidos 270 agricultores.

Selo de qualidade

Outro apoio assegurado pelo governo estadual aos pequenos produtores vem da Agência de Defesa Agropecuária do Pará (Adepará). O Decreto Estadual nº 7.565/2011 permite que pequenas indústrias recebam o selo de produto artesanal, que garante a segurança alimentar e agrega maior valor na comercialização.

Com o selo, o tradicional queijo do Marajó, por exemplo, passou a ser vendido dentro das normas de vigilância sanitária e seguindo os mais rigorosos padrões de qualidade. Atualmente, 74 estabelecimentos têm o selo e outros 233 estão em fase de registro. Eles comercializam produtos como molho de pimenta, maniva, tucupi, água de coco, queijo, farinha e mel.

“Para conseguir o selo de produto artesanal, o produtor precisa atender uma série de exigências, como fazer o curso de boas práticas de manipulação de alimentos e ter instalações adequadas às normas da vigilância sanitária. Esse foi um passo importante que demos para tirar muitos da clandestinidade e lhes dar oportunidade de crescer. É uma maneira de praticar a inclusão social no campo e ajudar a movimentar a economia do Estado”, explica o diretor de Defesa e Inspeção Vegetal da Adepará, Ivaldo Santana.

 

Fonte: Agência Pará